Pode "A origem" sonhar em segurança com a glória do Oscar? Esse é um enigma que vai permanecer muito tempo depois de os espectadores terem deixado de discutir as ambiguidades do novo mergulho eletrizante no subconsciente dirigido por Christopher Nolan.
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas não recompensou o trabalho anterior de Nolan, "Batman - O Cavaleiro das Trevas", com uma indicação a melhor filme, apesar de ter dado oito outras indicações ao filme de grande bilheteria. E, embora os sindicatos de roteiristas, diretores e produtores terem indicado Nolan pelo filme, a Academia não o fez. Até agora Nolan recebeu apenas uma indicação ao Oscar, pelo roteiro original de "Amnésia".
Os protestos resultantes dos fãs de "Cavaleiro das Trevas" foram tantos que influíram sobre a decisão tomada no ano passado para elevar de cinco para dez o número de indicados a melhor filme, disse o então presidente da Academia, Sid Ganis.
Uma indicação a melhor filme para "Origem" representaria alguma compensação pela desfeita a "Cavaleiro das Trevas", mas ainda faltam seis meses para as indicações, e tudo é incerto.
Outros filmes visionários anteriores como "2001 - Uma Odisseia no Espaço", "Blade Runner" e "Matrix" não receberam indicações ao Oscar de melhor filme, apesar de terem sido indicados em outras categorias. Mas talvez seja bom presságio o fato de "Quando Fala o Coração", o mergulho feito por Alfred Hitchcock em 1945 na análise freudiana dos sonhos e no surrealismo à moda de Dali, ter recebido indicações ao Oscar de melhor filme e diretor. E, como "Cavaleiro das Trevas", "A Origem" deve ser competitivo em diversas categorias.
Suas chances nas categorias de atuação - em que "Cavaleiro das Trevas" deu um Oscar póstumo de melhor atuação coadjuvante a Heath Ledger - são as mais problemáticas.
O elenco de "A Origem" possui credenciais impressionantes: Leonardo DiCaprio, Ellen Page e Ken Watanabe já foram indicados antes, e Michael Caine e Marion Cotillard já foram premiados.
Mas, em "A origem", todos os atores trabalham a serviço da trama enigmática do filme, que raramente se demora tempo suficiente para lhes proporcionar as cenas dramáticas que têm a preferência da Academia. E Leonardo DiCaprio pode perder alguns votos para sua outra performance deste ano no papel de um homem envolvido em jogos mentais, em "Ilha do Medo", de Martin Scorsese.
Fonte O Globo.
Fonte O Globo.
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